Estrabismo e curiosidades sobre a visão da criança

Estrabismo é uma doença que acomete a visão das pessoas. Caracteriza-se pela perda de paralelismo entre os olhos, por exemplo, um olho dirige-se para frente enquanto o outro está desviado. Em bebês menores que quatro meses é comum os olhos se desviarem rapidamente pois os reflexos que alinham os olhos ainda são imaturos. Após essa idade, se o seu bebê continuar a apresentar os olhos desalinhados, o pediatra deverá encaminhá-lo ao oftalmologista.

Quanto mais precoce o diagnóstico do estrabismo, melhor. O tratamento deve ser iniciado antes dos dois anos de idade, a fim de evitar que as células cerebrais se atrofiem e a criança passe a não enxergar a visão em três dimensões. Isso ocorre porque o cérebro deixa de captar a imagem do lado que enxerga mal e passa a registrar apenas a imagem que vem do olho saudável. O tratamento é feito pelo oftalmologista através de exercícios oculares, uso de tampão e em alguns casos aplicação de botox (indicado apenas quando a angulação do desvio não é tão grande).

Curiosidades: ao nascimento o bebê enxerga ao alcance de 20 cm de distância. Nas primeiras semanas de vida a visão é pouco nítida, vê listras e contrastes, mas não distingue cores e formas. Aos três meses focaliza bem o rosto de alguém próximo. A visão estará totalmente desenvolvida aos sete anos de idade.

Alertas: os pais e cuidadores devem sempre estimular o bebê através de brinquedos com cores fortes e contrastadas, brincando de esconder, mudar objetos de lugares observando se o bebê acompanha a trajetória. Se o bebê apresentar incapacidade de fixar o olhar e incoordenação entre os olhos após quarto mês de vida, se os olhos não tiverem brilho, se as pupilas estiverem esbranquiçadas; se houver lacrimejamento, dor de cabeça contínua em crianças maiores, ardência ou coceira nos olhos, se a criança franze a testa para enxergar, pisca muito, esfrega os olhos, olhos ou pálpebra avermelhados, quedas freqüentes, se os pais ou irmãos usarem óculos, o médico deverá ser consultado.

 

Asma

Não é fácil ter que conviver com doença crônica. Nem para o paciente, nem para a família. A minha filha caçula (sempre ela!) é uma bebê chiadora. Bebê chiador é aquele com maior tendência a chiar o peito após um quadro de resfriado ou após contato com algum fator alérgeno (aquele que desencadeia algum tipo de alergia). O bebê chiador pode apresentar menos quadro de chiado a medida que cresce ou pode virar um asmático.

Asma é uma doença crônica que afeta as vias respiratórias dos pulmões. É caracterizada por crises de chiado. O chiado acontece quando os brônquios dos pulmões ficam cheios de secreção e inchados, o que dificulta a passagem do ar. Brônquios são canais por onde o ar passa a fim de oxigenar os pulmões. Se eles estão cheios de secreção, o ato de respirar acontece com dificuldade.

Apesar de não ter cura, existe tratamento para que os sintomas pouco afetem a vida de quem convive com a doença.

Durante a crise o tratamento é feito com bronco-dilatador (o mais famoso é o berotec) na inalação convencional ou em forma de bombinha e eventualmente corticosteróide oral (prelone, predsim, prednisolona) para aumentar a passagem do ar.

Se o paciente tem muitas crises, a opção é usar corticóide inalatório diariamente para evitar as crises e, consequentemente, o uso abusivo de corticóide oral. O uso excessivo de medicações como predsim pode afetar uma glândula do corpo chamada adrenal e desregular os hormônios do paciente. Já o uso do corticóide inalatório, apesar do tabu que existe no uso diário de “bombinhas”, tem menos efeito colateral do que o uso recorrente do corticóide oral, já que age diretamente nos pulmões. Read More

Quando pensar em alergia ao leite de vaca?

Com a minha filha mais velha, não tive muito sucesso na amamentação. Tive fissura mamária e a insegurança de ser mãe de primeira viagem atrapalhou o aleitamento materno exclusivo. Como pediatra eu tinha certeza de que tudo seria mais fácil, não havia comprado nem mamadeira nem chupeta. Mesmo assim consegui amamentá-la até seus oito meses de vida!

Já com a caçula foi tudo diferente. Ela é tranquila, chorava pouco. Fiquei confiante e achei que dessa vez conseguiria manter amamentação exclusiva. Até que a Isabela começou a apresentar diarréia espumosa, esporadicamente com raias de sangue. Como sou diabética, num primeiro momento achei que a diarréia fosse causada pelos adoçantes que eu consumia e que poderiam ser excretados no leite materno. Depois de 4 dias sem adoçante, não houve melhora do quadro. Nesse período a Isabela já tinha ganhado um leite complementar pois a diarréia não deixava a pequena ganhar peso. Ela aceitava pouco o leite (havia introduzido aptamil 1) e algumas vezes vomitava.

Decidi então excluir leite e derivados da MINHA alimentação e mudar o complemento para leite de soja (aptamil soja 1). E assim a Isabela começou a ganhar peso e fechei o diagnóstico de alergia ao leite de vaca. Além dos sintomas, pensei nesse diagnóstico porque a minha filha tem tia-avó e um primo de segundo grau que são alérgicos ao leite de vaca.

A alergia ao leite de vaca é causada porque os bebês, quando nascem, têm o aparelho gastrintestinal ainda imaturo. Alguns bebês quando ingerem o leite de vaca iniciam um quadro de reação alérgica e inflamação no aparelho digestivo. Além de vômito e diarréia, o paciente pode apresentar constipação, refluxo, vermelhidão na pele, perda de peso e peito cheio.

Em alguns casos a alergia melhora com o passar do tempo. Quando minha filha completou seis meses de vida, tentei novamente dar o leite de vaca (aptamil 1). Infelizmente ela assim que sentiu o gosto, soltou o leite. Em menos de cinco minutos o queixo, onde o leite havia caído, ficou vermelho e inchado. Pronto! Mais um sintoma de alergia ao leite de vaca!

Algumas pessoas além da alergia ao leite de vaca têm também alergia ao leite de soja. Nesses casos, é necessária a introdução de leites altamente hidrolisados (quando as proteínas são quebradas em minúsculas partículas) que são muito caros.

Meu bebê já pode tomar suco?

A partir dos seis meses de vida, quando a amamentação deixa de ser exclusiva, o bebê deve iniciar a ingestão de sucos naturais. Já os bebês que mamam leites artificiais, podem iniciar essa complementação aos quatro meses.

Os sucos devem ser (sempre!) naturais. Para a minha primeira filha optei por comprar aquela centrífuga enorme que faz suco com a fruta inteira, sem precisar descascar ou cortar. Fazia suco de cenoura, de maçã, de uva. Era prático, mas achava pouco higiênico na hora da limpeza, parecia que não conseguia limpar completamente as lâminas e a peneira de aço. Já para a caçula, acabei preferindo fazer sucos mais próximos dos sucos que os adultos tomam então uso o velho e bom liquidificador mesmo.

Apesar de ser a primeira sugestão de suco de 99% dos pediatras (inclusive a minha), as minhas filhas não se deram bem com o suco de laranja lima. Tentei de várias maneiras, ele puro, ele bem aguado, mas não deu! As meninas sempre ficavam com o queixinho todo vermelho. O suco de laranja é muito ácido (mesmo que se coloque um volume grande de água) e pode irritar a pele sensível do bebê.

Já o suco de melão doce também pode ser indigesto. Muitos adultos referem má-digestão e percebia que quando a caçula o tomava ela também ficava incomodada, arrotava muito e, algumas vezes, regurgitava o suco. Read More

E se meu bebê tiver assadura?

Preocupação muito comum entre os pais, a assadura pode afetar a pele sensível dos bebês. Mais frequente na região da pele que fica coberta pela fralda, também pode surgir em áreas de dobras, onde os bebês transpiram mais (pescoço, dobras da coxa em bebês gordinhos, axilas, atrás das orelhas). A pele pode se apresentar irritada (vermelha), ressecada ou úmida. Se a assadura estiver ressecada ela pode provocar até mesmo pequenas fissuras ou cortes na pele.

A assadura é causada por excesso de umidade como o xixi ou fezes amolecidas que ficam acumuladas na fralda, suor nas dobras de pele, mudança na alimentação. Por isso o ideal é usar fraldas com alto poder de absorção, trocar o bebê no MÁXIMO a cada três horas, não usar lenço umedecido com frequência (quando usar, verificar se é de boa qualidade), deixar a região genital o mais seca possível antes de colocar uma nova fralda, não agasalhar demais a criança, secar sempre que possível o suor ou saliva do bebê. Esses cuidados seriam suficientes para evitar assadura, mas sabe-se que à noite, por exemplo, o bebê fica mais do que três horas com a mesma fralda e quase inevitavelmente uma vermelhidão pode surgir.

Se não tratada, a assadura pode se complicar e se transformar numa infecção por fungo (candidíase) ou por bactéria. Uma assadura normal tem melhora depois de cerca de dois dias de tratamento comum, que deve ser indicado pelo pediatra. Existem várias pomadas no mercado à base de óxido de zinco, vitaminas A e D, lanolina, calêndula e óleos. Em alguns casos são necessárias pomadas antiinflamatórias, antifúngicas ou antibióticas.

Algumas mamães ainda usam talco ou maisena para prevenir a assadura. O talco deve ser evitado pois a aspiração de suas partículas e o seu perfume pode desencadear problemas respiratórios nos bebês. Já a maisena tem a propriedade de hidratar e absorver umidade, portanto pode ser usada com sucesso em assaduras úmidas. Eu mesma usei bastante maisena nas dobrinhas da minha filha mais velha (ela tinha várias dobrinhas, rs!). As assaduras ressecadas (com fissura na pele) devem ser tratadas com pomadas, sempre sob orientação médica.